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Aos estudantes - uma reflexão

Reflexão - eleições - estudante

A você, estudante do IF Fluminense,

Estou há um ano nesta Instituição, mas no serviço público a mais tempo do que você pode contar o tempo de sua vida!  Por isso me sinto à vontade para lhe falar. Estamos vivendo um momento singular em nossa história: o da escolha daquelas pessoas que terão a tarefa de liderar a condução dos destinos do Instituto pelos próximos quatro anos.

Tenho ouvido (e visto) uma campanha a favor do voto nulo.  Em especial por este motivo decidi escrever esta mensagem.  

Não sei se você sabe, mas nem sempre foi assim.  Não foi sempre que pudemos escolher nossos dirigentes.  É um processo ainda recente na história da educação brasileira.  E não veio “de graça”.  Resultou de muitos embates, muitas lutas, em esferas diferentes do ensino público em nossa pátria.  Tenho o privilégio de poder dizer que participei de algumas delas. E não por ter sido conduzida por colegas ou pessoas de discursos convincentes.  Participei porque acredito na democracia.  Acredito no poder que advém de termos uma sociedade que até erra (muitas vezes) nas escolhas que faz, mas que é livre para fazê-las.  E para aprender com elas, tanto quanto com os acertos que faz. 

Numa sociedade capitalista como a nossa, existem muitos interesses, muitos inclusive alheios, distantes mesmos, dos nossos.  Não pensem que ser dirigente de uma grande instituição pública de ensino não interesse a pessoas que não são nem mesmo ligadas ao setor educacional, porque não é bem assim.  Somos uma grande comunidade escolar!  E temos famílias, amigos, grupos de que fazemos parte!  Existem, portanto, muitos interesses em nossos números enquanto eleitores!  Se abrirmos mão de um direito, há “lobos” espiando, aguardando o momento certo para tomarem-no de nós.  E o farão, estejam certos.  Todos vocês que hoje frequentam as salas de aula da nossa instituição não conhecem o “outro lado” (porque não vivenciaram isso), de dirigentes que são indicados por quem detém o poder fora dos nossos muros.  O compromisso desses dirigentes é com quem os nomeia, não com a comunidade interna.

A isso você poderá questionar: “e quando o dirigente eleito não se compromete ou não cumpre os compromissos assumidos”?  Bem, quando isso acontece (e acontece, muitas vezes), primeiro pressionamos, cobramos...  Se não funciona, “riscamos” essa pessoa de nossa lista e não mais a elegemos.  Para nada.  Democracia funciona assim.  É exercício.  É aposta.  Mas não podemos (nem devemos) apostar no vazio, na argumentação pobre, na falta de perspectivas.

Enfim, caríssimo estudante, você está diante de um momento especial de sua história, acredite.  Para o erro ou para o acerto, é dada a você a oportunidade de apostar.  Arriscar. Assim é a vida.  Assim atuamos como protagonistas de nossa história, no lugar de delegar a outros este papel.  Votar nulo, votar em branco, é tão prejudicial (nos processos eleitorais nas instituições escolares, pois essa prática é ainda frágil no sistema educacional, haja vista inúmeras redes estaduais e municipais de ensino que conquistaram e foram usurpadas desse direito, em nossos dias) quanto não votar.  Portanto, caríssimo, apenas reflita.  Você tem em suas mãos uma oportunidade que muitos gostariam de ter tido, no passado, e muitos gostariam de ter, no presente.  Você pode assumi-la como um valor a ser preservado ou se arriscar a perdê-lo, para você e para outros que virão.

Não se deixe manipular.  Procure ouvir, conversar, interrogue os candidatos, procure ouvir e questionar suas propostas.  E, acima de tudo, respeite.  Cada um deles, independentemente de sua concordância ou simpatia.  Colocar-se à disposição de uma comunidade eleitoral, num pleito, é um ato de extrema coragem.  Não é fácil ser vitrine.  Mais fácil é ter pedras na mão, para atacá-la.  Tenha você também boas pedras, estudante.  Mas procure usá-las de maneira construtiva.  Para você e para os demais. Para ilustrar, finalizo com uma mensagem de Einsten:   “A vida é como jogar uma bola na parede: se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; se for jogada uma bola verde, ela voltará verde; se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca; se a bola for jogada com força, ela voltará com força. Por isso, nunca ‘jogue uma bola na vida’ de forma que você não esteja pronto a recebê-la. A vida não dá nem empresta; não se comove nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos.”   

Mª Virginia Claudino (Téc. Assuntos Educacionais -  IF Fluminense - Campos Centro)